Há parcerias na relojoaria que nascem de contrato e há as que nascem de paixão. A que une a Chopard à Mille Miglia — a lendária corrida de estrada italiana que Enzo Ferrari chamava de a mais bela do mundo — pertence à segunda categoria, e dura desde 1988. O capítulo mais recente confirma que o vínculo segue rendendo: o Mille Miglia GTS Power Control Grigio-Blu 2026 Racing Edition, limitado a 250 peças numeradas, é o cronógrafo que ainda cheira a asfalto, borracha quente e verão lombardo.
O Chopard Mille Miglia GTS em detalhe
O nome carrega a assinatura técnica: o Power Control exibe a reserva de marcha num setor próprio do mostrador — a tradução relojoeira do ponteiro de combustível que todo piloto de rali consulta antes da próxima etapa. A escolha cromática grigio-blu, o cinza-azulado que evoca as carrocerias de alumínio das clássicas italianas sob céu carregado, dá à peça o tom de instrumento de bordo, não de joia. É relógio para quem entende que elegância motorizada se mede em contenção.
A tiragem de 250 exemplares posiciona a peça no território familiar da série de corrida: numerosa o bastante para não ser inacessível, curta o bastante para carregar exclusividade — o mesmo cálculo dos cronógrafos que pertencem a um evento antes de pertencerem a um pulso. Quem compra um Mille Miglia não adquire só um relógio: adquire um bilhete afetivo para a Brescia-Roma-Brescia.
O ano dos aniversários
O lançamento chega numa temporada especialmente celebrativa para a casa — 2026 marca os 30 anos da Chopard Manufacture Fleurier, a divisão de alta relojoaria que deu à marca, célebre pela joalheria, credibilidade mecânica própria. Entre as criações complicadas da linha L.U.C que comemoram a data e as esportivas Alpine Eagle, o Mille Miglia ocupa o lugar afetivo: não o mais complexo, mas o mais sentimental do catálogo.
Há uma lógica de época na aposta continuada no automobilismo histórico. Numa década em que os motores aprendem a ser silenciosos e os oito cilindros se despedem com honras, o cronógrafo de corrida vira relicário — o objeto que preserva no pulso o ronco que a estrada, aos poucos, deixará de ouvir. A Mille Miglia, disputada com carros de até 1957, é o museu rolante perfeito para essa nostalgia.
Ponteiros e pistões medem a mesma coisa: o tempo em movimento. O Mille Miglia GTS apenas insiste, ano após ano, que há uma forma particular de medi-lo — a de quem prefere que o cronômetro cheire, para sempre, a estrada aberta.