A curadoria reúne dezenas de obras vindas de coleções públicas e privadas de vários continentes. Estão lá A Negra (1923), Abaporu (1928), Antropofagia (1929) e as telas da fase Pau-Brasil, distribuídas por salas que organizam cronologicamente a sua evolução visual.
“Tarsila não foi uma artista que pintou o Brasil”, declara Debray, durante a coletiva de imprensa do dia inaugural. “Ela inventou o Brasil pictórico. Cada cor, cada forma, cada repetição rítmica de sua paleta — tudo isso é uma decisão deliberada de codificar um país que, em 1928, ainda não sabia se ver.”
O modernismo que veio do trópico
O argumento central da exposição — desenvolvido em sete salas temáticas — é que o modernismo europeu do entreguerras se completou quando dialogou com a obra de Tarsila. Especialmente os cubistas tardios e os surrealistas, que viam em A Cuca (1924) e em Abaporu (1928) uma síntese formal que Picasso e Léger ainda exploravam.
O catálogo da mostra — 480 páginas, edição bilíngue francês-português, com ensaios de Aracy Amaral, T. J. Demos e Hal Foster — reposiciona Tarsila no panteão modernista internacional. Não como influência regional, mas como protagonista
A consequência no mercado de arte
A grande exposição parisiense repercute diretamente na valorização do modernismo brasileiro no exterior. Obras de artistas do período têm registrado crescente interesse em leilões privados na Sotheby’s e Christie’s, com colecionadores internacionais disputando ativamente peças históricas. Trata-se de um momento de validação tardia, mas profunda, para a arte produzida no Brasil na primeira metade do século vinte.
“Estamos diante de um momento de validação tardia, mas profunda”, observa Pablo Léon de la Barra, curador internacional que acompanha a circulação da obra brasileira. “Tarsila sempre foi maior do que se reconhecia. Agora o mundo está tendo que admitir.”
A exposição segue no Pompidou até 14 de setembro. Em outubro, viaja para o MASP, em São Paulo — onde, ironicamente, será pela primeira vez exibida em sua escala completa para o público brasileiro.