Quando a Holanda bate um recorde náutico, o feito tem peso dobrado: é o país superando a si mesmo, já que poucos rivais restam à sua altura. O Project Tanzanite, em fase final no estaleiro Amels, entra para a história antes mesmo da entrega: com 120 metros de comprimento e 6.083 GT de volume, será o maior iate a motor já construído em solo holandês — superando em 31 metros o capitânia anterior da casa, o Here Comes The Sun.
O Project Tanzanite em números
A ficha técnica reúne a aristocracia do setor. O exterior leva o traço de Espen Øino — o norueguês cuja prancheta definiu a silhueta dos maiores iates da era —, enquanto os interiores são do Zuretti Design. As provas de mar foram concluídas em outubro do ano passado, etapa que costuma anteceder os meses finais de acabamento: a fase em que os estaleiros holandeses justificam sua fama, polindo o invisível.
O salto de escala não é trivial para a Amels, casa histórica de Vlissingen conhecida por sua linha de iates semi-custom. Um 120 metros full-custom é outro esporte — logística, engenharia e paciência em proporções inéditas para o próprio estaleiro. É o movimento de quem decide disputar a primeira divisão absoluta, território até aqui dominado pelos vizinhos alemães.
A geografia do recorde
Há uma leitura continental no feito. A náutica de grande porte vive uma corrida silenciosa entre duas escolas: a alemã, dos colossos de Lürssen e afins, e a holandesa, da precisão obsessiva em escalas menores. O Tanzanite é a Holanda invadindo o quintal alemão — levando junto sua assinatura de acabamento, a mesma que fez de um 40 metros recém-entregue um manifesto de 78 materiais. O recado ao mercado é claro: o país não quer mais escolher entre perfeição e tamanho.
O nome, pedra azul-violeta mais rara que o diamante, diz o resto. A tanzanita só existe em um lugar do mundo; iates desta escala com passaporte holandês, até agora, em nenhum. A partir da entrega, prevista para este ano, existirá exatamente um.
Recordes de comprimento passam — o próprio Tanzanite navegará sob a sombra de gigantes de quase 200 metros. Mas há recordes que não se medem em metros: o de um país pequeno que decidiu, mais uma vez, que nenhum mar é grande demais para seus estaleiros.